segunda-feira, 7 de março de 2011

Inconsequente e ainda amar

Hoje eu acordei com sono, sem vontade de acordar e meu primeiro pensamento foi uma música do Cazuza, onde a primeira frase da letra descreve acordar com sono sem vontade de acordar; e fiquei na cama olhando a cortina se mexer, brincando com a luz do sol entrando pela fresta da janela, sentindo cada parte do meu corpo amanhecer lento e me estiquei nessa cama de casal que só tem a mim; fechei os olhos e lembrei de todas as vezes que ela foi realmente compartilhada. Um histórico, de todos as verdades ditas, os pulos de alegria, as cócegas, o que senti, com quem senti, as mentiras que contei, as noites que fingi dormir, os dias em que acordei entre laços; todos os que construí e os poucos que guardei. Lembrei de todos os momentos em que estive junto, ali, entre lençóis; mas de todas as lembranças que tive; lembrei você, que nunca esteve de fato, mas sempre, como semente, em mim. E parecia que cada lembrança que chegava a ter, era como um pensamento se inscrevendo; cada experiência, cada verdade, mentira, sorriso ou não, nessa cama, tudo, foi adubo para meu corpo fazer crescer aquela semente, que hoje é arvore já formada com frutos de tudo que vivi contigo, longe daqui, dessa cama; mas sei que antes que você deite, ainda que em outros lençóis, a sua cama, ainda que entre outros históricos, ela acomodou o nosso melhor em amar e hoje vê o amor como um abraço curto pra não sufocar[...]

0 comentários: