sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Fim de papo

Antes de viajar, tive aqueles pontos finais de fim de ano; o primeiro foi rever você com seus cabelos ruivos cacheados na cama, comigo, depois de um domingo de praia que você vivia me convidando a tempos e eu nunca me empolguei pra ir junto, mas fui e antes que lhe encontrasse fiquei meia hora tentando que minha franja desaparecesse, fui linda, mesmo com sono, fui exausta, mas fui pra ver você sorrir iluminado, fui como amiga, como quem não quer nada, nada completamente, mas senti aquela vontade de que você me olhasse como quando chorou na rua, e quando você pediu a toalha emprestada e pegou na minha mão, queria que me olhasse dizendo de novo “eu só vim por você, sério”, mas não teve olhar nenhum, quatro horas de sol, areia, mergulho e olhar nenhum. Voltamos, e se talvez você não tivesse um relacionamento tão próximo com minha irmã, não teria você no quarto, na cama, depois da praia; o que mudou, foi um nós na cama com uma distancia de oitenta quilômetros e com uma sensação igual como quando temos sete anos de idade e acabamos de conhecer um paquerinha com cabelo chanel que está assistindo qualquer coisa com a perna encostada na nossa. Depois que todo mundo sai daquele quarto, adormecemos por quase três segundos e eu te pergunto, você me responde com uma voz de me abrace e te abraço meio torto, mas sinto seu jeito carente e quase amargo me contando qualquer coisa de você, e fala, e te levo pro meu quarto, me aperta, rir, me diz, e quando percebo, estamos conversando de como vocês se conheceram, como voltaram e equilibraram esse namoro sério de vocês dois bem longe de mim, te levo pra casa e quando você me abraça, definitivamente, vem aquele estalo dos anjos cambalhoteiros do amor me gritando “ninguém para no tempo por tanto tempo”, principalmente por quem não te quer, e eu nunca te quis como você me quis, nem te sorri sincero sempre, nunca te mereci. E chega, chega desse meu egoísmo carnívoro, que seja feliz bastante, e te olhei enfim, sem tentar aprisionar.
Três dias antes de viajar, sai, sai com amigos, sai com passatempo, sai comigo, simplesmente sai pra rever, me ver de formas diferentes, comigo, com gente; só não me vi com seu sotaque me dizendo “você vai ter a cara de pau de mentir” rindo de alguma coisa que eu lhe disse. Sempre tem alguém, que te marca, que te refaz, que te surge e definitivamente parece um parasita que não vai sair nunca do seu organismo, porque você nunca quis tanto alguém quanto e tem certeza que tudo foi recíproco, mas mesmo com tudo isso, mesmo eu não tendo parado a minha vida depois que fomos embora, percebi que você estava indo embora de mim, de dentro; foi exatamente enquanto eu falava com você, sem ouvir sua voz, enquanto você me olhava, enquanto eu te olhava sem que você percebesse, pelo vidro, e você riu como sempre de qualquer besteira minha, percebi, naquele olhar, num piscar de olhos enquanto via sua boca, que você não estava, ou melhor, que você não governava um todo dentro de mim, simplesmente, estava indo embora a fantasia do será, a lenda do não se esquece jamais. Viajei, e seu fantasma não apareceu, até tocarem no assunto um amor pra recordar, numa daquelas conversas de madrugada em quarto com mais de cinco mulheres com ontens mal resolvidos; e cai, cai na lembrança de você me acordando, do susto de te encontrar sem querer, cai mesmo, fiquei fraca relembrando e tinham mais histórias desse tipo de amor passado e nunca acabado durante a noite toda pra eu escutar, e fui dormir pensando num nós sem nós; tentei te ver ali comigo e não deu, tentei querer ver você na nossa cama sem conseguir dormir e não deu, acabou, seu monopólio sobre mim, minha vontade de te ver dormindo segurando o lençol, acabou, acabou. Eu não sou com você, não sou sem você, agora, sou comigo e acordo com o subconsciente gritando “zerou”. E tudo o que tinha de você em mim era referencia do pouco do muito que fomos; chega, seja feliz, acabou minha mentira sentimental, eu não te amo, o problema era amar o quanto te amei.
Por ultimo, começou o ano e eu mereço todos os pensamentos positivos de inicio de ano, todas as promessas e surpresas, mereço mais eu comigo junto por completo, sem entrelinhas, sem murmurinho de amor total; eu quero simplicidade completa, crescer e amar junto, sem utopia exagerada, mas na realidade de sonhar em várias parcelas sem desconto.

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