Você sumiu mesmo. Tudo bem que estou sumida do planeta inteiro, quieta, mas vez por outra eu apareço nesse mundo. Mas você sumiu mesmo, assim sumiço completo, sabendo que não está autorizada a fazer isso, uma vez sumindo assim, fiquei sem a segunda melhor opinião, que nunca contava tanto, mas fazia uma diferença enorme, e nesse tempo eu não fiz pouca merda não, só muita! Mas é difícil eu fazer merda grande do jeito que minha vida está. Sabe quando você fica flutuando mais que Peter Pan e sua vida é aquela tranqüilidade de "era uma vez uma fadinha que morava num bosque repleto de flores e sua casinha tinha perfume de jasmim". Pronto, resumindo, sou a Sininho estou num bosque parado, minha casinha ta cheirosa demais, cansei do jasmim e to apelando pra um cheiro de cravo, bem forte.
Eu não quero reclamar de como tudo está se encaminhando, porque eu nunca estive tão em paz; mas nessas horas a gente percebe que é humano demais e estranha o que parece perfeito; talvez o fato de enxergar o que parecia perfeito é menos doloroso, porque estar no perfeito envolve tantas entrelinhas passadas, um monte de erros até chegar nesse estado equilibrado. Mas sabe o que está rolando, de verdade, sem crise, eu cansei dessas gargalhadas, dessa falsidade pós-entrada no bar, dos abraços gostosos que não têm nada demais e fala, e sente saudade, canta, vibra, mete a faca por trás. Eu sei, estou sendo emotiva e dando uma de geração suicida, mas amiga, é o que ta rolando na casa da Sininho. O Peter Pan não volta e as flores cobram uma atenção cruel. E essas coisas vêm acontecendo sem abalo nenhuma, sem chorinho chorando junto ou coração batendo num efeito gangorra. Equilibrou.
Sentimentos, visões, planos, fossa, Peter Pan, cheiro de jasmim, flores, bosque, saudade, estupidez; não sei, deu preguiça no estrangeiro em mim. Sem exploração ou questionamentos afetivos ou espirituais, até porque meu espírito se encheu do divino, se alimentou e não está fazendo questão de vomitar nada encima de ninguém, ele serve um pouquinho do que comeu e quem comer que coma, mesmo que cate as cebolas, só come quem quer; diferente do imenso campo afetivo, onde quem tem fome come qualquer coisa, e vem reclamar da indigestão; não mastiga, engole e engasga. Depois do ultimo engasgo, preferi deixar doer a prestação, que aceitar a idéia do boi, vomitar e mastigar centenas de vezes o podre, se dando por satisfeito. Faltam poucas prestações e todo dia o sol fica mais lindo, mesmo queimando, quase matando. Começou a chover[...]
Cartões criativos
Há 12 anos
1 comentários:
"[...]diferente do imenso campo afetivo, onde quem tem fome come qualquer coisa, e vem reclamar da indigestão; não mastiga, engole e engasga". Como é prerigoso toda essa coisa. É exatamente assim que estou... engolindo. Gostei dessa imegem que você criou. Me percebi como boi que sou, somente agora. Anne, é difícil ser a paz, porque nós nascemos do conflito, mas eu gosto de toda essa busca, nos faz sentir vivos, em movimento. O seu bosque já já estará em festa outra vez. É que às vezes é tempo de faxina! =D
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