[...]Não quero usar o clichê de que não agradecemos o que a vida nos oferece, nem falar basicamente sobre não vivermos o momento presente como se fosse o último de nossas vidas ou julgar o fato do ser humano olhar o do outro para em seguida desvalorizar o que se tem, mas deixar claro que muitos são os míopes.
Nossos olhos têm poder sobre nós; as nossas ações, sensações e satisfações, seja qual for a reação, deixa claro que enxergamos com as janelas da alma, observamos o que há fora como se estivéssemos escondidos, protegidos; prestes a agir. Se estamos em contato com Deus ou qualquer ser espiritual que manifeste em nós uma satisfação na fé; quando fechamos nossos olhos nos ligamos ao desconhecido, mesmo que muito explorado por poucos, é como se nada nos alcançasse ou pudesse nos atrapalhar, nosso pensamento flui na escuridão dos olhos que possibilita a clareza do acreditar, fecham-se as portas do ser critico, permitindo crer no desconhecido de si. Quando insistimos na vida sem fé alguma, nossos olhos são como frestas entre telhas em casa sem janelas, não enxergamos com amplitude e não podendo explorar, nos limitamos a julgar, imaginar, criticar e nos permitimos ajudar, porem esperando a recompensa do sentimento doado.
Há tantos em casas sem janelas; casais esperam um do outro o pagamento do sentimento oferecido; seus filhos são corrompidos por uma sociedade imediatista, onde o reconhecimento do fazer é mais importante que o fato de algo ter sido feito. Daí parte a inveja, o querer estar acima do próximo, a corrida contra o tempo de ser o melhor; tornando diante dos olhos um mundo de metas, pódios imaginários a serem alcançados, onde ganhar é sempre o mais importante. Os muitos, entre os poucos, se transformaram em casas que janelas são desnecessárias e o mínimo visto pelas frestas é desejado a todo custo, tornando tudo o que se tem insuficiente. A inveja é o poder de enxergar na vida do outro a realização de um capricho nosso; muitos são os escravos do tempo, desejam mais e cada vez mais rápido, mesmo alguém tendo que perder nesse jogo.
Os olhos que seriam fechados para sentir o poder espiritual e enxergar plenamente o quanto nos completamos juntos, observando e evoluindo em comunhão sem méritos imediatos, transformam-se em olhos fechados sonhando com um carro melhor que o do vizinho, o apartamento de luxo para mostrar as amigas, a nova forma de trapacear contra o colega de trabalho ou filhos doutores; mesmo que frustrados. Sonham, mesmo depois de dez horas trabalhadas e olhos míopes diante de uma vida transparente, feito a alma esquecida dentro de nós.
Cartões criativos
Há 12 anos
1 comentários:
"Quando insistimos na vida sem fé alguma , nossos olhos são como frestas entre telhas em casa sem janelas". Ah, Anee!!! Que lindo isso que você escreveu! Um banho de renovação em meus 12 graus de miopia! Amei =)
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