sábado, 30 de abril de 2011

Last

Não dá pra fingir não se entregar, mesmo depois de cair de um vôo que parecia não terminar nunca, mesmo se adaptando a estar ali, caindo, não dá. É simples dizer que não se deve colocar alguém desse plano de vida como marco inicial, prioridade das suas 24 horas mal vividas, aquele pensamento fixo de tudo junto, ali, compartilhando como deve ser. Acontece que, como levar um absurdo desses, assim, à risca? Sem que se perceba, essa busca pelo outro, cresce, basta reconhecer que sorrisos têm suas milhares de diferenças e olhares seus intermináveis significados. Os erros e retornos, acertos e idas, em meio a todo esse caminho você se vê, várias vezes, com vários marcos iniciais, prioridades dos seus domingos de janeiro a janeiro, os pensamentos fixos de quero estar aqui. Definitivamente, vai haver um momento em que as várias prioridades já colocadas ali no pódio de vida, simplesmente não existem mais, aliás, não como aquela prioridade, apenas ocorreu o pequeno, quase que despercebido declínio de prioridade maior para vaga lembrança. É engraçado, nunca reconhecer quem será fielmente e definitivamente a boa parte das suas 24 horas. A melhor parte é que ninguém nunca saberá e isso faz toda a diferença. Esse não saber, essa procura já é a prioridade em todos os setores de sua vida; é começar, porque se deve começar, sem ter medo do fim, porque se vive o momento certo, sem precisar reconhecê-lo.
Acontece que é quando tudo flui numa simplicidade completa, muitas vezes, no momento em que sem querer se diz que nada merece tanta prioridade assim, que a vida são esses momentos aglomerados de querer mais. É assim, quando tudo é simples nas nossas expectativas disfarçada de teoria, que chega, bem clichê, sem limpar os sapatos no tapete antes de entrar; entra e sorri com o olhar que já se reconhece de longe o que quer dizer, mas ainda assim, sem saber o motivo, você só quer, mais uma vez, mesmo repetindo e sabendo que está mentindo, que é a última vez. E tudo flui, não importa a sujeirinha nos pés trazidas de outros caminhos, existe uma vassoura que a anos vem tentando fazer uma faxina ali dentro; e digo, nada melhor que encontrar alguém pra segurar a pá enquanto se junta a sujeira, e ainda melhor, que cante com você Don't Let Me Down levando o lixo para fora. Agora sim, vamos começar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Inconsequente e ainda amar

Hoje eu acordei com sono, sem vontade de acordar e meu primeiro pensamento foi uma música do Cazuza, onde a primeira frase da letra descreve acordar com sono sem vontade de acordar; e fiquei na cama olhando a cortina se mexer, brincando com a luz do sol entrando pela fresta da janela, sentindo cada parte do meu corpo amanhecer lento e me estiquei nessa cama de casal que só tem a mim; fechei os olhos e lembrei de todas as vezes que ela foi realmente compartilhada. Um histórico, de todos as verdades ditas, os pulos de alegria, as cócegas, o que senti, com quem senti, as mentiras que contei, as noites que fingi dormir, os dias em que acordei entre laços; todos os que construí e os poucos que guardei. Lembrei de todos os momentos em que estive junto, ali, entre lençóis; mas de todas as lembranças que tive; lembrei você, que nunca esteve de fato, mas sempre, como semente, em mim. E parecia que cada lembrança que chegava a ter, era como um pensamento se inscrevendo; cada experiência, cada verdade, mentira, sorriso ou não, nessa cama, tudo, foi adubo para meu corpo fazer crescer aquela semente, que hoje é arvore já formada com frutos de tudo que vivi contigo, longe daqui, dessa cama; mas sei que antes que você deite, ainda que em outros lençóis, a sua cama, ainda que entre outros históricos, ela acomodou o nosso melhor em amar e hoje vê o amor como um abraço curto pra não sufocar[...]

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Fim de papo

Antes de viajar, tive aqueles pontos finais de fim de ano; o primeiro foi rever você com seus cabelos ruivos cacheados na cama, comigo, depois de um domingo de praia que você vivia me convidando a tempos e eu nunca me empolguei pra ir junto, mas fui e antes que lhe encontrasse fiquei meia hora tentando que minha franja desaparecesse, fui linda, mesmo com sono, fui exausta, mas fui pra ver você sorrir iluminado, fui como amiga, como quem não quer nada, nada completamente, mas senti aquela vontade de que você me olhasse como quando chorou na rua, e quando você pediu a toalha emprestada e pegou na minha mão, queria que me olhasse dizendo de novo “eu só vim por você, sério”, mas não teve olhar nenhum, quatro horas de sol, areia, mergulho e olhar nenhum. Voltamos, e se talvez você não tivesse um relacionamento tão próximo com minha irmã, não teria você no quarto, na cama, depois da praia; o que mudou, foi um nós na cama com uma distancia de oitenta quilômetros e com uma sensação igual como quando temos sete anos de idade e acabamos de conhecer um paquerinha com cabelo chanel que está assistindo qualquer coisa com a perna encostada na nossa. Depois que todo mundo sai daquele quarto, adormecemos por quase três segundos e eu te pergunto, você me responde com uma voz de me abrace e te abraço meio torto, mas sinto seu jeito carente e quase amargo me contando qualquer coisa de você, e fala, e te levo pro meu quarto, me aperta, rir, me diz, e quando percebo, estamos conversando de como vocês se conheceram, como voltaram e equilibraram esse namoro sério de vocês dois bem longe de mim, te levo pra casa e quando você me abraça, definitivamente, vem aquele estalo dos anjos cambalhoteiros do amor me gritando “ninguém para no tempo por tanto tempo”, principalmente por quem não te quer, e eu nunca te quis como você me quis, nem te sorri sincero sempre, nunca te mereci. E chega, chega desse meu egoísmo carnívoro, que seja feliz bastante, e te olhei enfim, sem tentar aprisionar.
Três dias antes de viajar, sai, sai com amigos, sai com passatempo, sai comigo, simplesmente sai pra rever, me ver de formas diferentes, comigo, com gente; só não me vi com seu sotaque me dizendo “você vai ter a cara de pau de mentir” rindo de alguma coisa que eu lhe disse. Sempre tem alguém, que te marca, que te refaz, que te surge e definitivamente parece um parasita que não vai sair nunca do seu organismo, porque você nunca quis tanto alguém quanto e tem certeza que tudo foi recíproco, mas mesmo com tudo isso, mesmo eu não tendo parado a minha vida depois que fomos embora, percebi que você estava indo embora de mim, de dentro; foi exatamente enquanto eu falava com você, sem ouvir sua voz, enquanto você me olhava, enquanto eu te olhava sem que você percebesse, pelo vidro, e você riu como sempre de qualquer besteira minha, percebi, naquele olhar, num piscar de olhos enquanto via sua boca, que você não estava, ou melhor, que você não governava um todo dentro de mim, simplesmente, estava indo embora a fantasia do será, a lenda do não se esquece jamais. Viajei, e seu fantasma não apareceu, até tocarem no assunto um amor pra recordar, numa daquelas conversas de madrugada em quarto com mais de cinco mulheres com ontens mal resolvidos; e cai, cai na lembrança de você me acordando, do susto de te encontrar sem querer, cai mesmo, fiquei fraca relembrando e tinham mais histórias desse tipo de amor passado e nunca acabado durante a noite toda pra eu escutar, e fui dormir pensando num nós sem nós; tentei te ver ali comigo e não deu, tentei querer ver você na nossa cama sem conseguir dormir e não deu, acabou, seu monopólio sobre mim, minha vontade de te ver dormindo segurando o lençol, acabou, acabou. Eu não sou com você, não sou sem você, agora, sou comigo e acordo com o subconsciente gritando “zerou”. E tudo o que tinha de você em mim era referencia do pouco do muito que fomos; chega, seja feliz, acabou minha mentira sentimental, eu não te amo, o problema era amar o quanto te amei.
Por ultimo, começou o ano e eu mereço todos os pensamentos positivos de inicio de ano, todas as promessas e surpresas, mereço mais eu comigo junto por completo, sem entrelinhas, sem murmurinho de amor total; eu quero simplicidade completa, crescer e amar junto, sem utopia exagerada, mas na realidade de sonhar em várias parcelas sem desconto.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A idéia de uma idéia de Freud

Essa questão de libertar o animal pra controlar o homem é uma das várias formas de Freud colocar que o inconsciente é presente em nosso ser, até em formas e situações que não sabemos, de nós mesmos. Freud afirma que o homem é um pouco escravo do seu inconsciente, e o que ele procurou foi a liberdade do indivíduo, que cada pessoa conseguisse conhecer-se com todas as coisas sujas, feias, ruins que carregamos dentro do nosso inconsciente. Coisas que são fruto de uma cultura, de relacionamentos; no desenvolvimento do individuo incorporam-se estas proibições culturais que fazem parte do psíquico do inconsciente; ou seja, é a sociedade e as pessoas que constroem o outro, não tem como você ser só inconsciente ou dar maior valor ao animal que existe em você, porque é a sociedade que te faz e você deve uma posição diante dela, assim como são as atitudes de outros que o faz e você se baseia a partir disso. Tudo que acontece fica registrado no inconsciente. Não se pode apagar o que aconteceu, pode-se esquecer. Cada pessoa responde a uma série de situações sociais, mas também as dela mesmo, de seus pais, da família, etc.
Não se pode comparar, por exemplo uma pessoa que sempre teve pai com outra que nunca teve, as reações são muito diferentes. Toda a problemática sexual que se desenvolve em relação aos pais, aos irmãos, aos ciúmes, à masturbação, aparece muito cedo na vida e marcam nossas vidas desde os primeiros dias de existência. A vida do indivíduo é um problema triangular. Por exemplo: a procura de identificação do indivíduo com a mãe, do próprio sexo, e com poder amar o pai. Algo assim como: "se amo o meu pai, minha mãe pode não gostar de me sentir como rival" ou: "eu sinto que minha mãe é uma rival no amor de meu pai"; todo individuo passa por isso, é o complexo de Édipo. Isso tem um significado profundo que pode extrapolar em outras situações da vida. Tudo marca nossa vida, tudo. Pais que batem em crianças podem provocar uma fantasia do tipo "meu pai pode ser meu inimigo", e esta fantasia aproxima-se muito da realidade "meu pai é meu inimigo", então quando adulta, essa criança pode tornar-se agressiva, tímida, ter problemas na esfera sexual.
Freud confirma que complexos vividos mudam um individuo inteiro e afirma que um individuo pode mudar biologicamente ou em sua personalidade a partir do desenvolvimento do seu inconsciente, seja com ajuda de outro individuo (psicanalista, psicólogo...) ou de si próprio. Uma paciente que apresentava diversas patologias; rejeitava água, não podia caminhar, etc. Com uma técnica terapêutica Freud conseguiu mobilizar o inconsciente desta mulher, e chegou à realidade de que o problema dela, vinha de ter presenciado a sedução feita pelo pai à mulher de um amigo dele. Ela era criança e isto a impressionou fortemente, ficou curada e se tornou uma das primeiras assistentes sociais do mundo. Ficou conhecido como: caso Dora e é sempre mencionado, porque prova o poder do individuo sobre o inconsciente. Nesse caso, o inconsciente foi trabalhado; o individuo passou a se reconhecer e a partir daí mudar o comportamento, e neste novo sentido, a barreira que o afetava é esquecida e tida como vivencia, não atingindo mais o seu consciente. Um individuo não tem poder total do seu inconsciente, mas pode questioná-lo, resultando na liberdade de quebrar suas barreiras e paradigmas. Em questão fica: “Freud diz que se tem que libertar o animal pra controlar o homem, mas mesmo que você controle esse homem quando conhecer seu animal, você vai saber que ele está lá e tem sede de muitas coisas.” Acontece que esse animal é o nosso inconsciente, e ele tem sim seus desejos, complexos, pré-conceitos; mas este mesmo animal não pode ser domado totalmente pelo homem, mas se trabalhado, questionado, imposto pelo individuo, ele pode ser mudado, não se tem como domar todo nosso inconsciente, porque vivemos situações passadas e virão futuras. Então digo que, um individuo, se ele trabalhar seu inconsciente e busca a vivencia que o “impressionou” quando criança, ele pode sim, assim como o caso Dora, mudar, reinventar um novo modo de ser e sem sofrimento algum. Mas tudo parte da vontade de cada um e definitivamente mudar não é da noite para o dia. Mesmo eu acreditando que Deus tem poder perante todas as coisas. Acredito que ele respeita cada um de nós, nas nossas escolhas, não interrompendo em nada; é tanto que estamos vivendo aqui, agora, mediante nossas vontades.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Os tipos

Existem três tipos de pessoas inicialmente: Existem os idiotas, as pessoas incríveis e os que se permitem. Todas esses três tipos naturalmente apaixonam-se. Os idiotas são, quase sempre, os mais divertidos e não têm noção do que se deve fazer, simplesmente fazem, por sentir. As pessoas incríveis têm o mesmo senso de humor dos idiotas, pórem de alguma forma elas evoluíram seu jogo de cintura e conseguem aproximar todos ao seu redor. Mas existem pessoas que se permitem ser, seja como for, onde for e o que for, elas são como incríveis idiotas que riem, fazem o que se sente, atraem como química a todos em seu ciclo e buscam sua felicidade sem fronteiras ou amarras. E quando algum desses tipos se apaixona, encontram lá fora um mundo de outros tipos que antes não existiam, pois só enxergavam o seu querer, uma forma limitada de sonhar e enxergar o outro, sendo que há tantos outros especiais e possíveis. Acordam e reconhecem que, muitas vezes, se enganaram querendo enxergar um único tipo que fantasiaram ser compatível a eles; seguem então com um novo campo de visão maior por saber que dentre tantos tipos há um tipo diferente que o reconhecerá[...]

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Um nó

Vai existir uma noite comum em que eu vou chegar, abrir a porta, beber água e respirar dentro e fora o peso do meu dia inteiro. Você vai sorrir tranqüilo e com carinho, mas ainda vai reclamar o pagamento do boleto vencendo e eu vou lembrar. Enquanto eu estiver tomando banho, você não vai ter me esperado para jantar como antes, mas vai gritar do quarto que comprou um porta-chaves e que eu nem percebi. Eu vou olhar na sala e de longe você vai observar, mas vou sorrir baixo e esquentar a macarronada com você falando que não deu pra esperar. Vamos sentar à mesa e conversar qualquer coisa do dia e fazer planos pro final de semana, até você notar meu desanimo e vem me beijar, assim de surpresa como quando voltamos a namorar. Vou te abraçar e não dizer que te amo.
Nosso quarto é do nosso jeito, mas tem seu cheiro e vou estar pensando em você enquanto estiver em seu colo assistindo o ridículo das novelas, rindo até que eu adormeça. Quando você levantar e desligar as luzes, vai me cobrir e pensar rápido que poderia não estar ali; sorrindo vou lhe pedir desculpas e dizer que sinto sua falta e não há outra coisa que eu pense, enquanto uma lágrima sua cair em meu peito, vamos dizer que finalmente estamos aqui[...]

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Guarda Chuva

Você sumiu mesmo. Tudo bem que estou sumida do planeta inteiro, quieta, mas vez por outra eu apareço nesse mundo. Mas você sumiu mesmo, assim sumiço completo, sabendo que não está autorizada a fazer isso, uma vez sumindo assim, fiquei sem a segunda melhor opinião, que nunca contava tanto, mas fazia uma diferença enorme, e nesse tempo eu não fiz pouca merda não, só muita! Mas é difícil eu fazer merda grande do jeito que minha vida está. Sabe quando você fica flutuando mais que Peter Pan e sua vida é aquela tranqüilidade de "era uma vez uma fadinha que morava num bosque repleto de flores e sua casinha tinha perfume de jasmim". Pronto, resumindo, sou a Sininho estou num bosque parado, minha casinha ta cheirosa demais, cansei do jasmim e to apelando pra um cheiro de cravo, bem forte.
Eu não quero reclamar de como tudo está se encaminhando, porque eu nunca estive tão em paz; mas nessas horas a gente percebe que é humano demais e estranha o que parece perfeito; talvez o fato de enxergar o que parecia perfeito é menos doloroso, porque estar no perfeito envolve tantas entrelinhas passadas, um monte de erros até chegar nesse estado equilibrado. Mas sabe o que está rolando, de verdade, sem crise, eu cansei dessas gargalhadas, dessa falsidade pós-entrada no bar, dos abraços gostosos que não têm nada demais e fala, e sente saudade, canta, vibra, mete a faca por trás. Eu sei, estou sendo emotiva e dando uma de geração suicida, mas amiga, é o que ta rolando na casa da Sininho. O Peter Pan não volta e as flores cobram uma atenção cruel. E essas coisas vêm acontecendo sem abalo nenhuma, sem chorinho chorando junto ou coração batendo num efeito gangorra. Equilibrou.
Sentimentos, visões, planos, fossa, Peter Pan, cheiro de jasmim, flores, bosque, saudade, estupidez; não sei, deu preguiça no estrangeiro em mim. Sem exploração ou questionamentos afetivos ou espirituais, até porque meu espírito se encheu do divino, se alimentou e não está fazendo questão de vomitar nada encima de ninguém, ele serve um pouquinho do que comeu e quem comer que coma, mesmo que cate as cebolas, só come quem quer; diferente do imenso campo afetivo, onde quem tem fome come qualquer coisa, e vem reclamar da indigestão; não mastiga, engole e engasga. Depois do ultimo engasgo, preferi deixar doer a prestação, que aceitar a idéia do boi, vomitar e mastigar centenas de vezes o podre, se dando por satisfeito. Faltam poucas prestações e todo dia o sol fica mais lindo, mesmo queimando, quase matando. Começou a chover[...]