Não dá pra fingir não se entregar, mesmo depois de cair de um vôo que parecia não terminar nunca, mesmo se adaptando a estar ali, caindo, não dá. É simples dizer que não se deve colocar alguém desse plano de vida como marco inicial, prioridade das suas 24 horas mal vividas, aquele pensamento fixo de tudo junto, ali, compartilhando como deve ser. Acontece que, como levar um absurdo desses, assim, à risca? Sem que se perceba, essa busca pelo outro, cresce, basta reconhecer que sorrisos têm suas milhares de diferenças e olhares seus intermináveis significados. Os erros e retornos, acertos e idas, em meio a todo esse caminho você se vê, várias vezes, com vários marcos iniciais, prioridades dos seus domingos de janeiro a janeiro, os pensamentos fixos de quero estar aqui. Definitivamente, vai haver um momento em que as várias prioridades já colocadas ali no pódio de vida, simplesmente não existem mais, aliás, não como aquela prioridade, apenas ocorreu o pequeno, quase que despercebido declínio de prioridade maior para vaga lembrança. É engraçado, nunca reconhecer quem será fielmente e definitivamente a boa parte das suas 24 horas. A melhor parte é que ninguém nunca saberá e isso faz toda a diferença. Esse não saber, essa procura já é a prioridade em todos os setores de sua vida; é começar, porque se deve começar, sem ter medo do fim, porque se vive o momento certo, sem precisar reconhecê-lo.
Acontece que é quando tudo flui numa simplicidade completa, muitas vezes, no momento em que sem querer se diz que nada merece tanta prioridade assim, que a vida são esses momentos aglomerados de querer mais. É assim, quando tudo é simples nas nossas expectativas disfarçada de teoria, que chega, bem clichê, sem limpar os sapatos no tapete antes de entrar; entra e sorri com o olhar que já se reconhece de longe o que quer dizer, mas ainda assim, sem saber o motivo, você só quer, mais uma vez, mesmo repetindo e sabendo que está mentindo, que é a última vez. E tudo flui, não importa a sujeirinha nos pés trazidas de outros caminhos, existe uma vassoura que a anos vem tentando fazer uma faxina ali dentro; e digo, nada melhor que encontrar alguém pra segurar a pá enquanto se junta a sujeira, e ainda melhor, que cante com você Don't Let Me Down levando o lixo para fora. Agora sim, vamos começar.
Cartões criativos
Há 12 anos