sexta-feira, 23 de abril de 2010

Guarda Chuva

Você sumiu mesmo. Tudo bem que estou sumida do planeta inteiro, quieta, mas vez por outra eu apareço nesse mundo. Mas você sumiu mesmo, assim sumiço completo, sabendo que não está autorizada a fazer isso, uma vez sumindo assim, fiquei sem a segunda melhor opinião, que nunca contava tanto, mas fazia uma diferença enorme, e nesse tempo eu não fiz pouca merda não, só muita! Mas é difícil eu fazer merda grande do jeito que minha vida está. Sabe quando você fica flutuando mais que Peter Pan e sua vida é aquela tranqüilidade de "era uma vez uma fadinha que morava num bosque repleto de flores e sua casinha tinha perfume de jasmim". Pronto, resumindo, sou a Sininho estou num bosque parado, minha casinha ta cheirosa demais, cansei do jasmim e to apelando pra um cheiro de cravo, bem forte.
Eu não quero reclamar de como tudo está se encaminhando, porque eu nunca estive tão em paz; mas nessas horas a gente percebe que é humano demais e estranha o que parece perfeito; talvez o fato de enxergar o que parecia perfeito é menos doloroso, porque estar no perfeito envolve tantas entrelinhas passadas, um monte de erros até chegar nesse estado equilibrado. Mas sabe o que está rolando, de verdade, sem crise, eu cansei dessas gargalhadas, dessa falsidade pós-entrada no bar, dos abraços gostosos que não têm nada demais e fala, e sente saudade, canta, vibra, mete a faca por trás. Eu sei, estou sendo emotiva e dando uma de geração suicida, mas amiga, é o que ta rolando na casa da Sininho. O Peter Pan não volta e as flores cobram uma atenção cruel. E essas coisas vêm acontecendo sem abalo nenhuma, sem chorinho chorando junto ou coração batendo num efeito gangorra. Equilibrou.
Sentimentos, visões, planos, fossa, Peter Pan, cheiro de jasmim, flores, bosque, saudade, estupidez; não sei, deu preguiça no estrangeiro em mim. Sem exploração ou questionamentos afetivos ou espirituais, até porque meu espírito se encheu do divino, se alimentou e não está fazendo questão de vomitar nada encima de ninguém, ele serve um pouquinho do que comeu e quem comer que coma, mesmo que cate as cebolas, só come quem quer; diferente do imenso campo afetivo, onde quem tem fome come qualquer coisa, e vem reclamar da indigestão; não mastiga, engole e engasga. Depois do ultimo engasgo, preferi deixar doer a prestação, que aceitar a idéia do boi, vomitar e mastigar centenas de vezes o podre, se dando por satisfeito. Faltam poucas prestações e todo dia o sol fica mais lindo, mesmo queimando, quase matando. Começou a chover[...]

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Abra suas janelas

[...]Não quero usar o clichê de que não agradecemos o que a vida nos oferece, nem falar basicamente sobre não vivermos o momento presente como se fosse o último de nossas vidas ou julgar o fato do ser humano olhar o do outro para em seguida desvalorizar o que se tem, mas deixar claro que muitos são os míopes.
Nossos olhos têm poder sobre nós; as nossas ações, sensações e satisfações, seja qual for a reação, deixa claro que enxergamos com as janelas da alma, observamos o que há fora como se estivéssemos escondidos, protegidos; prestes a agir. Se estamos em contato com Deus ou qualquer ser espiritual que manifeste em nós uma satisfação na fé; quando fechamos nossos olhos nos ligamos ao desconhecido, mesmo que muito explorado por poucos, é como se nada nos alcançasse ou pudesse nos atrapalhar, nosso pensamento flui na escuridão dos olhos que possibilita a clareza do acreditar, fecham-se as portas do ser critico, permitindo crer no desconhecido de si. Quando insistimos na vida sem fé alguma, nossos olhos são como frestas entre telhas em casa sem janelas, não enxergamos com amplitude e não podendo explorar, nos limitamos a julgar, imaginar, criticar e nos permitimos ajudar, porem esperando a recompensa do sentimento doado.

Há tantos em casas sem janelas; casais esperam um do outro o pagamento do sentimento oferecido; seus filhos são corrompidos por uma sociedade imediatista, onde o reconhecimento do fazer é mais importante que o fato de algo ter sido feito. Daí parte a inveja, o querer estar acima do próximo, a corrida contra o tempo de ser o melhor; tornando diante dos olhos um mundo de metas, pódios imaginários a serem alcançados, onde ganhar é sempre o mais importante. Os muitos, entre os poucos, se transformaram em casas que janelas são desnecessárias e o mínimo visto pelas frestas é desejado a todo custo, tornando tudo o que se tem insuficiente. A inveja é o poder de enxergar na vida do outro a realização de um capricho nosso; muitos são os escravos do tempo, desejam mais e cada vez mais rápido, mesmo alguém tendo que perder nesse jogo.
Os olhos que seriam fechados para sentir o poder espiritual e enxergar plenamente o quanto nos completamos juntos, observando e evoluindo em comunhão sem méritos imediatos, transformam-se em olhos fechados sonhando com um carro melhor que o do vizinho, o apartamento de luxo para mostrar as amigas, a nova forma de trapacear contra o colega de trabalho ou filhos doutores; mesmo que frustrados. Sonham, mesmo depois de dez horas trabalhadas e olhos míopes diante de uma vida transparente, feito a alma esquecida dentro de nós.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sobre seguir

“Me arrependo do que não fiz” se compara com “me arrependo do que fiz”? A partir do momento em que colocamos essa comparação faz-se em primeiro plano, em nosso pensamento uma imagem do algo maravilhoso que não finalizamos e, muitas vezes, nem chegamos a fazê-lo, ficando o vazio do não completar por nunca ter iniciado; uma esperança envergonhada de que tudo seria diferente se aquilo tivesse sido feito com ou sem êxito, de alguma forma mudaria o rumo, logo, não se estaria na estrada do agora, nem da forma presente. Talvez o algo não feito, se feito, trouxesse outros caminhos a seguir, vivencias de não sentir-se incapaz de ter dado fim ao que fosse iniciado, porem isso não tira a real possibilidade da qual fugimos; de que o feito, que não fizemos, poderia trazer o arrependimento de ter sido realizado.
Partindo para o segundo plano, quando nos arrependemos, algo foi concluído, e quando finalizado há, antes, a realidade do desejar, escolher, fazer. Não atentamos diante de nossas ações feitas, sejam elas previstas, impulsivas, insignificantes ou não, nos arrependemos diante de algo realizado por não pensarmos na possibilidade de não o fazer. As escolhas nos trazem soluções e reações, mesmo que previstas, surpreendem; sendo que a surpresa dessas ações, diante do nosso caminho, nem sempre são positivas; levando em consideração que reações negativas de um ato arrependido podem tornar-se positivas se edificarem o novo modo de enxergar do realizador, mesmo com arrependimento, agora serão vistas as pedras nos novos caminhos. Então arrepender-se do feito traz consigo, também, a recompensa de novas soluções.
Arrepender-se do que se fez ou pelo que não foi feito é tão negativo quanto positivo como todas as escolhas em nossas vidas, é preciso arriscar acertar, mesmo sendo um erro[...]