Essa questão de libertar o animal pra controlar o homem é uma das várias formas de Freud colocar que o inconsciente é presente em nosso ser, até em formas e situações que não sabemos, de nós mesmos. Freud afirma que o homem é um pouco escravo do seu inconsciente, e o que ele procurou foi a liberdade do indivíduo, que cada pessoa conseguisse conhecer-se com todas as coisas sujas, feias, ruins que carregamos dentro do nosso inconsciente. Coisas que são fruto de uma cultura, de relacionamentos; no desenvolvimento do individuo incorporam-se estas proibições culturais que fazem parte do psíquico do inconsciente; ou seja, é a sociedade e as pessoas que constroem o outro, não tem como você ser só inconsciente ou dar maior valor ao animal que existe em você, porque é a sociedade que te faz e você deve uma posição diante dela, assim como são as atitudes de outros que o faz e você se baseia a partir disso. Tudo que acontece fica registrado no inconsciente. Não se pode apagar o que aconteceu, pode-se esquecer. Cada pessoa responde a uma série de situações sociais, mas também as dela mesmo, de seus pais, da família, etc.
Não se pode comparar, por exemplo uma pessoa que sempre teve pai com outra que nunca teve, as reações são muito diferentes. Toda a problemática sexual que se desenvolve em relação aos pais, aos irmãos, aos ciúmes, à masturbação, aparece muito cedo na vida e marcam nossas vidas desde os primeiros dias de existência. A vida do indivíduo é um problema triangular. Por exemplo: a procura de identificação do indivíduo com a mãe, do próprio sexo, e com poder amar o pai. Algo assim como: "se amo o meu pai, minha mãe pode não gostar de me sentir como rival" ou: "eu sinto que minha mãe é uma rival no amor de meu pai"; todo individuo passa por isso, é o complexo de Édipo. Isso tem um significado profundo que pode extrapolar em outras situações da vida. Tudo marca nossa vida, tudo. Pais que batem em crianças podem provocar uma fantasia do tipo "meu pai pode ser meu inimigo", e esta fantasia aproxima-se muito da realidade "meu pai é meu inimigo", então quando adulta, essa criança pode tornar-se agressiva, tímida, ter problemas na esfera sexual.
Freud confirma que complexos vividos mudam um individuo inteiro e afirma que um individuo pode mudar biologicamente ou em sua personalidade a partir do desenvolvimento do seu inconsciente, seja com ajuda de outro individuo (psicanalista, psicólogo...) ou de si próprio. Uma paciente que apresentava diversas patologias; rejeitava água, não podia caminhar, etc. Com uma técnica terapêutica Freud conseguiu mobilizar o inconsciente desta mulher, e chegou à realidade de que o problema dela, vinha de ter presenciado a sedução feita pelo pai à mulher de um amigo dele. Ela era criança e isto a impressionou fortemente, ficou curada e se tornou uma das primeiras assistentes sociais do mundo. Ficou conhecido como: caso Dora e é sempre mencionado, porque prova o poder do individuo sobre o inconsciente. Nesse caso, o inconsciente foi trabalhado; o individuo passou a se reconhecer e a partir daí mudar o comportamento, e neste novo sentido, a barreira que o afetava é esquecida e tida como vivencia, não atingindo mais o seu consciente. Um individuo não tem poder total do seu inconsciente, mas pode questioná-lo, resultando na liberdade de quebrar suas barreiras e paradigmas. Em questão fica: “Freud diz que se tem que libertar o animal pra controlar o homem, mas mesmo que você controle esse homem quando conhecer seu animal, você vai saber que ele está lá e tem sede de muitas coisas.” Acontece que esse animal é o nosso inconsciente, e ele tem sim seus desejos, complexos, pré-conceitos; mas este mesmo animal não pode ser domado totalmente pelo homem, mas se trabalhado, questionado, imposto pelo individuo, ele pode ser mudado, não se tem como domar todo nosso inconsciente, porque vivemos situações passadas e virão futuras. Então digo que, um individuo, se ele trabalhar seu inconsciente e busca a vivencia que o “impressionou” quando criança, ele pode sim, assim como o caso Dora, mudar, reinventar um novo modo de ser e sem sofrimento algum. Mas tudo parte da vontade de cada um e definitivamente mudar não é da noite para o dia. Mesmo eu acreditando que Deus tem poder perante todas as coisas. Acredito que ele respeita cada um de nós, nas nossas escolhas, não interrompendo em nada; é tanto que estamos vivendo aqui, agora, mediante nossas vontades.
Cartões criativos
Há 12 anos